Quando falamos sobre empresas, é comum escutarmos expressões sobre valor. Muitas vezes, nos referimos ao valor da empresa, ao valor gerado para o cliente ou ao valor percebido pelo mercado. Porém, poucos param para pensar o que realmente está sendo medido. Estamos falando apenas de dinheiro, patrimônio e produtos? Ou existe algo mais profundo, que vai além dos números das demonstrações financeiras?
O que é valor material?
O valor material é talvez o conceito mais conhecido entre gestores, investidores e profissionais de mercado. Ele se refere principalmente ao que pode ser visto, tocado, contado e quantificado de maneira direta.
- Faturamento anual
- Patrimônio líquido
- Infraestrutura física
- Equipamentos e tecnologia
- Volume de vendas
- Número de unidades produzidas
Esses elementos formam a base do valor material. Quando avaliamos uma empresa por esse ângulo, olhamos para o que ela possui e o que ela gera em termos de bens tangíveis e capital financeiro.
Valor material é aquilo que pode ser contabilizado facilmente.
Por experiência própria, percebemos que este tipo de valor é relevante para negociações, captação de investimentos e transações comerciais. As métricas clássicas, como EBITDA, fluxo de caixa e lucratividade fazem parte desse universo.
O que é valor sistêmico?
Agora, se olharmos para as empresas a partir de uma perspectiva mais ampla, veremos que existe um outro tipo de valor: o sistêmico. O valor sistêmico é o resultado das relações humanas, dos padrões comportamentais e dos vínculos invisíveis que unem as pessoas dentro e fora da organização. Trata-se de algo menos palpável, mas ainda mais determinante para a influência e longevidade de uma empresa.
No valor sistêmico, avaliamos elementos como:
- Qualidade das relações internas e externas
- Nível de confiança entre equipes, líderes e clientes
- Coerência ética nas decisões
- Reconhecimento social e impacto comunitário
- Capacidade de adaptação do time
- Resiliência dos sistemas de trabalho
- Reputação construída ao longo do tempo
Os vínculos sistêmicos podem fazer uma organização prosperar, mesmo diante de crises, ou levá-la a dificuldades silenciosas que só aparecem quando é tarde demais.

Como as duas formas de valor se relacionam?
Muitas vezes, partimos do pressuposto que basta cuidar dos indicadores materiais para garantir o sucesso. No entanto, acreditamos que cuidar apenas do valor material é correr riscos desnecessários. Experiências recentes mostram que empresas com ótimo desempenho financeiro podem ruir em poucos meses se o valor sistêmico não for forte.
Por outro lado, organizações que investem no valor sistêmico podem suportar períodos difíceis, inovar em situações de incerteza e crescer de forma sustentável. O valor sistêmico age como um campo invisível de sustentação para resultados materiais.
Empresas podem até sobreviver só com valor material, mas não prosperam sem valor sistêmico.
Assim, sempre que avaliamos negócios, projetos e times, é fundamental olhar além dos números. O valor sistêmico pode explicar por que duas empresas do mesmo setor, com recursos parecidos, atingem resultados tão diferentes a longo prazo.
Por que o valor sistêmico vem ganhando espaço?
Notamos uma mudança clara no mercado. Investidores, clientes e profissionais estão cada vez mais atentos ao impacto das empresas no mundo, além do seu desempenho financeiro. Com tanta informação, ninguém consegue se manter relevante apenas oferecendo lucro ou produtos.
O valor sistêmico carrega aspectos intangíveis, como cultura, confiança e ética. Essas dimensões definem se uma empresa será lembrada positivamente, se atrairá talentos, parceiros e clientes engajados.
- Clientes buscam empresas confiáveis e transparentes
- Colaboradores preferem ambientes saudáveis
- Investidores valorizam práticas responsáveis
No fundo, o valor sistêmico se traduz em reputação, adaptação e futuro.
Quais os benefícios de integrar valor material e sistêmico?
Unir os dois conceitos é um diferencial evidente. Nos últimos anos, observamos resultados mais duradouros e menos vulneráveis em empresas que cuidam dos aspectos materiais e sistêmicos de forma integrada.
- Lucro sustentável, baseado em propósito
- Menor rotatividade de pessoal
- Parcerias sólidas e de longo prazo
- Capacidade de inovação constante
- Reconhecimento espontâneo no mercado
Integrar valor material e sistêmico transforma o próprio conceito de sucesso.
Quando conversamos com executivos engajados, ouvimos relatos sobre como transformações nas relações internas ou na percepção de propósito geraram impactos financeiros positivos. O contrário também acontece: tensões, ética duvidosa e ambientes tóxicos corroem resultados mesmo quando os indicadores econômicos ainda parecem atrativos.

Como identificar e fortalecer o valor sistêmico?
Na prática, sugerimos alguns passos para quem deseja fortalecer o valor sistêmico em empresas:
- Observar a qualidade do clima organizacional e relações interpessoais
- Analisar a clareza de propósito e valores compartilhados
- Incentivar conversas francas e feedbacks construtivos
- Promover decisões alinhadas com ética e responsabilidade
- Valorizar o aprendizado contínuo e a inovação
- Monitorar a reputação junto à comunidade e ao mercado
Essas práticas ajudam a criar ambientes saudáveis, alinhados e inovadores, nos quais resultados materiais surgem como consequência natural.
Conclusão
Ao olharmos para as diferenças entre valor material e valor sistêmico nas empresas, entendemos que ambos são necessários, mas por razões muito distintas. O valor material sustenta o presente, garante liquidez e viabilidade no curto prazo. Já o valor sistêmico alimenta o futuro, protege contra crises e orienta o desenvolvimento sustentável.
A verdadeira transformação acontece quando unimos lucros e pessoas, métricas e confiança, resultados visíveis e vínculos invisíveis.
Empresas que reconhecem e fomentam essa união prosperam de forma saudável, inovam, inspiram e deixam marcas positivas no mundo.
Perguntas frequentes
O que é valor material nas empresas?
Valor material é o conjunto de recursos tangíveis de uma empresa, como dinheiro em caixa, imóveis, equipamentos, mercadorias, além dos indicadores financeiros tradicionais. Inclui tudo o que pode ser facilmente medido e registrado em balanços patrimoniais e demonstrativos contábeis.
O que é valor sistêmico nas empresas?
Valor sistêmico diz respeito à rede de relações, padrões comportamentais, confiança, cultura organizacional, ética e reputação, que surgem a partir de conexões humanas e dos impactos que a empresa gera no ambiente interno e externo. Não se mede apenas por números, mas por percepções, vínculos e resultados coletivos de longo prazo.
Qual a diferença entre valor material e sistêmico?
O valor material é formado por ativos físicos e financeiros, enquanto o valor sistêmico envolve aspectos intangíveis, como relações, confiança, propósito e impacto social. O primeiro pode ser contabilizado facilmente, já o segundo depende de análise qualitativa e visão de longo prazo. Enquanto o material sustenta o funcionamento imediato, o sistêmico garante crescimento sustentável.
Como calcular o valor sistêmico de uma empresa?
O valor sistêmico não possui uma fórmula única de cálculo como os indicadores financeiros. Em nossa experiência, sugerimos métodos como pesquisas de clima organizacional, índices de reputação, análise de redes de colaboração, retenção de talentos e feedbacks de clientes e parceiros. Avaliar valor sistêmico exige olhar para a qualidade dos relacionamentos e o impacto gerado, usando ferramentas qualitativas e quantitativas em conjunto.
Por que investir em valor sistêmico?
Investir em valor sistêmico torna a empresa mais resiliente, atrativa para talentos e clientes, com capacidade de adaptação a mudanças e geração de impactos positivos em sua comunidade. Organizações com valor sistêmico forte unem resultados financeiros a uma reputação sólida e relacionamentos duradouros.
